E quando se é criança, ouve- se os pais dizerem que existe um anjinho da guarda para cada um. Um ser divino que lhe proteje e lhe guarda de todo mal. Cujo o maior objetivo é o seu bem, e apenas o seu bem. E eu acreditei, com toda a sinceridade do meu coração inocente de criança, eu acreditei, que existia um ser a me vigiar e a querer meu bem.
Quando se chega a uma certa idade, o ceticismo passa a fazer parte de seus pensamentos, ele habita de uma forma que qualquer palavra jogada a você, é necessária uma base concreta para que isso faça sentido. Seguindo esse pensamento, anjos não seriam reais, especialmente os anjos da guarda.
Mas aí num certo momento você cai em si, e percebe que existem pessoas a sua volta, que só querem seu bem. Só querem estampar um sorriso, uma demonstração de felicidade no seu rosto. Só querem mostrar o quão importante você é para elas. E o mais interessante disso tudo, é que elas não necessitam de nada em troca. Apenas o gesto ou a ação de lhe fazer sentir bem é suficiente. Um sorriso, é a recompensa do esforço deles. E é justamente isso que me faz acreditar que existem anjos a minha volta. E mesmo sem a inocência de uma criança e com o ceticismo de minhas palavras, posso afirmar que meus pais estavam certos. Anjos da guarda existem.
Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam. (A Hora da Estrela)
Clarice Lispector

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