E lá de cima torre, a princesa sentia o vento bater sobre seus cabelos, o frescor de vida, a pulsação acelerada e o prazer de um sonho no coração, um sonho tão grande quanto o seu castelo de cartas. Mas um dia o vento foi tão forte que abalou as estruturas da torre, do castelo e da princesa também. E a princesa caiu, num poço fundo, realmente fundo, presa em todas as expectativas frustadas, sonhos inacabados e um coração petrificado, sem vida, sem vento, sem frescor, sem seu castelo.
E não se sabe como e nem ao menos porque, mas num dia belo dia de dezembro viu-se a princesa reerguer-se , saiu do poço e dos contos de fadas que a prendiam, aprendeu a criar suas próprias histórias, a acreditar em suas próprias verdades e começou a reconstruir o seu castelo mas, dessa vez certificou-se de construí-lo tijolo por tijolo, para que nenhum vento de inverno acabasse jogando-a no velho poço mais uma vez.
E aprendeu a ver o mundo não com magia ou feitiços, mas através de sonhos, quedas e recontruções e até hoje, a princesa encontra-se na torre, com um sonho maior que o coração, sentindo o frescor por entre os cabelos, sentindo a vida por entre as frestas de si mesma.

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