segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Esconderijo.


Tento de todas as formas me esquivar desse deserto que paira em minha mente, mas como posso simplesmente me esconder de um mar de areia que sobrevoa meus pensamentos? 
Esse deserto que ás vezes parece mais um jardim florido e bem cuidado, que exala perfumes para todos o gostos. E ás vezes seu céu muda de cor, seu vento fica áspero e a temperatura insuportável de se sentir. 
Pensando por um lado, talvez o deserto não seja tão ruim. Isolada e solitária reflito melhor, não tenho nada com que me distrair a não ser a areia abaixo de meus pés. E no jardim, tão glorioso jardim, nunca houveram tempos para refletir, apenas tempo para sentir o perfume das flores, ver a cor do céu e observar a beleza de tudo aquilo.

Talvez esse deserto, seja apenas o meu esconderijo. Meu cantinho secreto. Meu mundo. Meu EU.

Vidas secas.


Vidas sem sentido, sem rumo e sem direção. Vidas oprimidas e tortas em busca de uma ponta de esperança talvez até de uma salvação.
Vidas onde nada mais tem o sabor doce da alegria e apenas o sabor amargo do medo e da solidão.
Vidas que cheiram  a sepulcro e tem um ar sombrio sem a mínima sombra de felicidade.
Vidas, que talvez só precisem de uma resposta, um motivo. Para que tudo volte a fazer sentido.
Como foi um dia. Há muito tempo atrás.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ataque de síntese.



Após ver a vida em luzes piscando pela madrugada, levantar-se do lugar onde costumeiramente sonho, parece ser infinitas vezes menos fácil. O sol bate forte à janela e em lugar de passarinho é o despertador que me canta. Acabo de descobrir que se não levanto, se quero calar o canto sem, porém, desligá-lo, minha única opção é adiá-lo por nove minutos. E nove são três vezes três. São meus sonhos divididos em três partes.

O tempo.




O tempo não para.

Cansada.

 Eu estou cansada!
Cansada de esperar, cansada de ver tudo tão parado, cansada de tanta monotonia.
Cansada de esperar uma palavra ou um sorriso. Cansada de esperar uma decisão. 
Simplesmente cansada.
Então por que você não vem aqui e me tira desse cansaço?
Eu seria eternamente grata (:

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Nostalgia.



Hoje acordei assim: nostálgica!
Uma saudade da infância, de ser criança.
Da doçura, da ternura, da simplicidade, do brilho no olhar.
Do tempo onde a grande responsabilidade era brincar, amava bonecas.
De brincar de Power Rangers, disputando com a prima quem seria a personagem rosa, pois eu deveria ser a amarela, só porque eu realmente era dessa cor.
Do tempo em que a maior preocupação era qual presente iria ganhar, quando o pai voltava de viagem, no aniversário, no Dia das Crianças, no Natal.
Ah, que saudade!
De ir para escola e ficar ansiosa pra saber qual carimbo iria ganhar pela tarefa feita, caprichosamente.
De me achar "gente grande" e pedir para a diretora da escola que me mudasse de turma, pois queria estudar com a "Tia" do ano anterior, e conseguir.
De passear todos os fins de semana no parquinho e poder se acabar no sorvete.
Mas também tenho saúde das regras dos pais, da autoridade.
De ir para a casa da Vó e comer muito bolo, esperar os primos de fora chegarem.
E o carinho? Que delícia! Aquele dengo, um chamego, um cafuné.
Saudade, de quando saía com a mãe para comprar um sapato e tinha que sair da loja com o novo nos pés, e o velho na caixa.
Do lanche que tomávamos sempre que íamos ao Centro da cidade passear.
De andar de mãos dadas e sentir a proteção.
Do cuidado e zelo da mãe ao pentear meu cabelo, o rigor ao levar para cortar as pontinhas, só podia aparar. Era lindo, grande, cheio de cachinhos e muito brilhante. Ela adorava me emperiquetar.
Saudade da ansiedade do dia que ia participar de um evento da escola, uma comemoração, das danças.
Das professoras que me paparicavam.
Da espera afetada pelo nascimento da irmã mais nova, o ciúme apertava.
Saudade das sessões de filme, todos amontoados no sofá e comendo um doce.
Eu era feliz e sabia.
Tanto sabia que meus pais me encontrava chorando, do nada, e ao questionar o motivo, era apenas:

"Eu não quero crescer!"

quarta-feira, 25 de agosto de 2010